Tuesday, October 27, 2009

Dicionário Educado - Rita Apoena

Quando alguém olha para você e estende aquele dedo do meio, está querendo dizer: "Escute aqui, você não é o mindinho, não é o fura-bolo e muito menos o cata-piolho! Você é o maior de todos, amigão! Você é o maior de todos!"

Monday, September 28, 2009

...

"Quando existir o vazio em sua vida, preencha-a com amor. Ame o melhor que puder, ame quem quer que seja, ame até o que puder. Mas, ame sempre. Não se preocupe com a razão por que ama. O amor é um fim em si mesmo. Não se considere incompleto por o seu carinho não ser correrspondido. O amor é a sua própria recompensa" (Amado Nervo, Plenitud)

Thursday, July 16, 2009

Soltando "nós"

Quando sinto que falta oxigênio, vou soltando os laços apertados que envolvem o coração. Não é um processo fácil. Mas, é necessário um pequenino esforço para começar a soltar os que começam nos pés: o primeiro passo! (que ecoa como ironia). Vou subindo lentamente e a sensação de que estou ficando livre, faz a minha circulação mandar forças para que eu continue tentando. E assim, vai. Abaixo, levanto, direita, esquerda, movimentos circulares, bruscos, à passos de tartaruga. Diz o meu pai, que para "nós" fortes, é preciso alguns assopros. Então, dou um, dois, três...Por vezes querendo enchê-lo de suspiros. Mas, é preciso soltá-los. É preciso.

Monday, June 15, 2009

Para um amigo de coração partido

O Palhaço, por Miguel Afonso

Eu lembro muito bem a forma que você surgiu no meu espaço. Foi chegando de mansinho, proporcionando os melhores sorrisos e despertando os sentimentos mais puros. Todos os meus gritos e angústias eram aliviados com a sua atenção. Os meus dias não tinham graça se não falava contigo. Porque, meio sem querer, você passou a ser meu oxigênio e a estrada segura para caminhar. Nasceu um amor de amigo que veio acompanhado de um bem querer tão sutil quanto os seus olhos quando estão apertadinhos das gargalhadas, que fazem tão bem aos corações. E daí, contradizendo todos esses momentos, você aparece triste. E eu aqui, de longe, como todo o tempo estivemos, porque sim, ficamos bêbados de alegria estando longe, curtimos um dos melhores shows, separados, reclamamos de coisas parecidas, mas cada um no seu canto.
E eu, mais uma vez, me mostrando à distância, porém tão perto como todos esses momentos que passaram, quero retribuir tudo de mágico que você fez pra mim. Dizendo que esse sentimento vai passar e mais adiante irá se tornar uma doce memória ou uma linda poesia.

Friday, May 29, 2009

Protesto

Entre as posturas adquiridas enquanto estou morando só é a de não perder comida. Aqui em casa, religiosamente, tudo é aproveitado. E a regra é não deixar comida no prato. Deparo-me rotineiramente ‘comendo com os olhos’, para que nada vá para o lixo. Penso logo que é jogar dinheiro e remédio dentro da validade para quem tem fome.

Mas, ao fazer feira ontem à noite, me questionei se não estaria tendo um perfil extremamente radical. Adoro ir ao supermercado quase na madrugada. Tudo é tão sereno. As pessoas não tentam nos atropelar com seus carrinhos e “Com licença e obrigado” ganham espaço. E até podemos criar uma força, pequena que seja, mas o suficiente para manifestar inquietações.

Perto da seção de pães, fica um espaço para comidas prontas, como é pertinho da ala gelada, eu sempre dou um jeito de pegar ‘bigú’ no vidrinho que mantém o alimento em estado perfeito para consumo imediato. E não tinha como não prestar atenção naquele senhor que gritava com gestos, mas de fala calma.

- Vocês não estão mais dando desconto ao galeto, que foi feito na hora do almoço e que ainda está aqui, exposto sem ninguém ter mais interesse?

Realmente. Muitas vezes já vi pessoas na fila para comprar esses frangos, enquanto o ponteiro quase apontava uma da matina.

- Não, senhor. Não estamos mais fazendo isso faz duas semanas.
- E posso saber o que acontece com eles, caso ninguém compre?,
insistiu o senhor.
- Vai pro lixo, senhor. O dono pediu que fossem todos para o lixo.

Não consegui controlar minha reação desfavorável ao gesto do burro e mesquinho dono daquele estabelecimento. Além de não aproveitar o alimento, ele também perderia lucrar. O senhor me informou que comprara o galeto por cinco reais e na placa dizia que o ‘sujeito’ era o dobro do preço no horário de pico.

Em mim, só restou as lamentações do que todo aquele banquete poderia ajudar. (Que doasse, oras!). Se o interesse é o consumo e capital, que levantasse a camisa do social - papo furado para essas empresas grandes. Não vou deixar de freqüentar o tal local por causa do gesto. Mas, por algumas horas, o fato me fez uma cidadã mais crítica e inquieta na interpretação das ações sociais oferecidas em prol da população. E, quando vejo plaquinha, “Doe livros e agasalhos”, um pouco de culpa é encontrada mais adiante. Pode ter certeza.

Tuesday, April 28, 2009

Dentinho de Ouro

Foi uma queda boba. Mas, o suficiente para manifestar preocupações. Nas corridas rotineiras atrás do Totó, cachorrinho de casa de vô e vó, Luiza tropeçou por cima dele e, (pow!), a boca miúda bateu no chão. Não sangrou, não quebrou nenhum dente, muito menos ameaçou cair, não doeu e ela jura de pé junto que teve ligeiras cócegas. Mas, percebi leves rachaduras de cima pra baixo em um deles. Não hesitei em ligar para a dentista, marcar uma consulta urgente (vai que desaba e ele engole pequenos fragmentos do osso). Espaço para casos de emergências, ao menos naquele consultório, era apenas para a próxima semana. No primeiro horário, no primeiro dia de atendimento lá estava eu e a pequena. A dentista disse que não teria que mexer naquele dente de forma alguma, mas que se eu sentisse a mudança de cor, retornasse com ela para que fosse feito um canal, para não comprometer a vida do bichinho de leite.

Nada de dor. Nem sensibilidade com quente ou gelado durante os três meses. Mas, o sujeito começou a mudar de cor. Não tinha escovado de dente mais demorada que aquela na boca de Luiza. “Mãe, você escova mais devagarzinho no meu dentinho da frente?”. É...Eu pensava que poderia ser algum descaso com a saúde bucal. Agüentei até o momento que ele ficou amarelinho de vez. Com toda preocupação, retornei ao consultório e por muita sorte, a dona lá falou que não precisaria fazer procedimento algum, a cor seria devido à pancada que não causou nenhum dano, só teria algum incômodo estético, mas para uma criança de quatro anos, isso não existe.

Começa mais um ano de escola, professora nova, coleguinhas novos, clima de novidade fresquinho pelo ar. Ela mais feliz do que nunca, vem contar sobre as descobertas da manhã, durante o almoço.
- Mãe, já que terminei de comer, posso escovar meu dentinho de ouro?
- Dentinho de ouro, filha?
- É, mãe. Ele me dá muita sorte.

E sorriu poeticamente. Mostrando todos aqueles dentinhos tão branquinhos como nuvem, com um pontinho de luz logo na frente, cartão de visita para o singelo e o puro, incrementados com a doçura da sua inocência, uma fuga ao paraíso, ao amor e à serenidade. Um abraço apertado para quem tem frio. Um beijo de amor aos que sofreram pela perda de alguém. Uma palavra de afeto aos que foram injustiçados. É, filha, sorte tem que olha seu sorriso.

Sunday, April 12, 2009

Diz que fui por aí...

Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando o violão embaixo do braço
Em qualquer esquina eu paro
Em qualquer botequim eu entro
Se houver motivo
É mais um samba que eu faço
Se quiserem saber se volto
Diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Tenho um violão para me acompanhar
Tenho muitos amigos, eu sou popular
Tenho a madrugada como companheira
A saudade me dói, o meu peito me rói
Eu estou na cidade, eu estou na favela
Eu estou por aí
Sempre pensando nela


(Zé Kéti e H. Rocha)